11.04.2026
25.04.2026

Poiesis
Na exposição POIESIS, Dália Cordeiro apresenta um conjunto de obras onde a pintura se afirma como território de criação em estado puro — um espaço onde a imagem não ilustra, mas emerge. A poiesis, na sua aceção original de ato de fazer e de trazer ao mundo o que ainda não existe, atravessa toda a prática da artista e manifesta-se como impulso gestual, intuitivo e profundamente matérico.
Sem filiação estilística rígida, o trabalho aproxima-se de linguagens expressionistas e surrealistas, desenvolvendo uma gramática visual marcada pelo gesto e pela transformação contínua da forma. As composições sugerem figuras, fragmentos e elementos que se reorganizam em campos cromáticos vibrantes, abrindo espaço a leituras múltiplas sem se fixarem numa narrativa única — onde o íntimo e o imaginado se cruzam de forma livre e não programática.
A diversidade de suportes — telas de diferentes formatos, superfícies ovais e composições mais abertas — reforça esta lógica de experimentação. Em oposição à tradição conceptual que promove a desmaterialização da arte, Dália Cordeiro afirma a materialidade da pintura: na espessura da tinta, na marca do gesto, na presença física do objeto. Cada obra torna-se um campo de inscrição onde o movimento da artista permanece visível.
Há neste conjunto uma tensão entre controlo e espontaneidade, entre o figurativo e o onírico, onde a lógica se dilui e dá lugar a associações livres. POIESIS propõe assim uma aproximação à origem do gesto artístico — um lugar onde criar é experimentar, recompor e dar forma ao indizível —, convidando o espectador a habitar esse espaço intermédio entre reconhecimento e estranhamento.
Sara de Araújo Sequeira, Curadora

Dália Cordeiro
Dália Cordeiro nasceu no Barreiro em 1955. Formou-se em Educação Visual e Tecnológica pelo Instituto Piaget em Almada e lecionou artes visuais durante mais de trinta e cinco anos na escola pública portuguesa, em particular na Escola Álvaro Velho no Barreiro.
Nos últimos anos tem-se dedicado por inteiro à produção artística. Desde 2012 expõe regularmente em mostras coletivas e individuais. No entanto, foi sobretudo desde 2021 que a sua obra ganhou uma maior projeção pública, em particular através de icónicos salões de arte moderna e contemporânea, bem como de bienais e feiras de arte. Para além de, por exemplo, a sua participação na IV Bienal de Génova, as suas consecutivas participações no Salon d´Automne de Paris e na Art Capital Paris – históricos salões constituídos por um júri crítico – são reflexos da pertinência do seu trabalho que oscila entre representações surrealistas e expressionistas.
