05.09 — 19.09.2026
Raparigas Grandes em Campos Pequenos
Mafalda Miranda & Rita Félix

TEXTO CURATORIAL
Há figuras que parecem não caber no espaço que lhes foi dado. Outras permanecem dentro dele, mas deixam de coincidir plenamente com a imagem que as procura fixar.
Em Raparigas Grandes em Campos Pequenos, Mafalda Miranda e Rita Félix aproximam-se da figura por linguagens distintas. Corpo e rosto tornam-se lugares instáveis: expostos e ocultos, reconhecíveis e deformados, próximos e difíceis de fixar. É precisamente nessa diferença que o diálogo entre as duas práticas se constrói.
Na obra de Rita Félix, desenho e pintura avançam por acumulação, mancha, sombra, rasura e apagamento. A figura surge sem nunca se entregar por inteiro. Em Vanille Bourbon, a relação com uma fotografia de Henrietta Moraes permanece visível, mas a imagem procura também libertar-se do referente. Em Não fumadores, presença e vazio coexistem, enquanto Princesinha e Knock knock! LET’EM IN aproximam o rosto de quem olha.
Mafalda Miranda trabalha por uma via de maior exposição. Cor, deformação e frontalidade tornam o corpo difícil de ignorar. Deixa-me ficar suspende a figura num interior que não chega a ser repouso; Pareço-te nervosa? devolve diretamente o olhar ao visitante; em Dismorfia (15), o espelho fragmentado inclui quem observa numa imagem que já não se consegue devolver inteira.
Entre ocultação e excesso, as duas práticas alteram a posição de quem olha. “Grande” não designa apenas escala, mas uma presença que excede os limites que procuram fixá-la; “Campo” pode ser tela, interior, rosto, memória, referência ou olhar.
Durante a exposição, as artistas trabalham também numa residência na sala adjacente. A produção permanece visível durante o horário da galeria, mas mantém-se autónoma e não integra a exposição.
Sara de Araújo Sequeira, Curadora
ARTISTAS
Mafalda Miranda & Rita Félix
Mafalda Miranda vive e trabalha em Portugal. Licenciou-se em Escultura em 2023 e concluiu, em 2025, o mestrado em Conservação de Arte Moderna e Contemporânea na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. A sua prática concentra-se no desenho e na pintura, recorrendo à cor, à deformação e ao exagero da figura para trabalhar vulnerabilidade, desconforto e autorrepresentação.
Rita Félix é uma artista visual portuguesa, formada em Desenho pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. A sua prática desenvolve-se entre desenho e pintura e parte frequentemente do encontro com imagens fotográficas. Figura, desejo, presença e apagamento atravessam um processo em que a imagem é construída e, ao mesmo tempo, rasurada, deslocada ou tornada instável.
