Retrospetiva 2025
Um ano de exposições na 23A Galeria.
Em 2025, a programação expositiva da 23A Galeria afirmou-se como um espaço de encontro entre linguagens, gerações e geografias, consolidando o seu percurso enquanto plataforma de experimentação, diálogo e descoberta. Ao longo do ano, as exposições refletiram uma atenção constante à diversidade de práticas artísticas, à relação entre memória e contemporaneidade e à criação de experiências sensoriais e poéticas para o público.
O ano iniciou-se em fevereiro com Loving Letters, de Ricardo Tadeu Barros, uma exposição que resgatou a escrita manual e as cartas de amor como gestos íntimos e políticos num mundo digitalizado. Através de uma linguagem cromática vibrante, próxima da pop art, a mostra convidou à reflexão sobre afetos, memória e cultura popular.
Em abril, Rogério da Silva apresentou A Câmara Ausente, onde o desenho dialogou com a fotografia para questionar o tempo, a fragilidade da imagem e os mecanismos da recordação. A exposição propôs um olhar atento sobre o passado, não como reprodução, mas como reinvenção poética.
Seguiu-se, em maio, Ruídos Invisíveis, de João Vasco Casanova, um conjunto de aguarelas que revelou a pulsação subtil da cidade. Entre fragmentos arquitetónicos, sombras e presenças em trânsito, a exposição privilegiou a perceção sensorial, convidando o visitante a escutar o ritmo quase secreto da vida urbana.
No verão, em julho, Malu Mesquita trouxe à galeria Vertigem Paulistana, uma leitura sensível e intimista de São Paulo. Através da fotografia, a artista explorou contrastes entre caos e silêncio, betão e natureza, construindo uma narrativa visual marcada pelo afeto, pela escala e pelo estranhamento.
Em setembro, Ana Cristina Dias apresentou O Canto da Cotovia, uma exposição onde pintura, fotografia e poesia visual se cruzaram para abordar temas como memória, identidade e liberdade. A obra revelou a tensão entre natureza e humanidade, num diálogo entre referências clássicas e um romantismo contemporâneo.
Outubro foi marcado por Como Se Fosse Um Deserto, de Luís Artur, uma exposição que convidou à contemplação e à introspeção. As telas, dominadas por uma linguagem cromática intensa, abriram grandes espaços silenciosos e enigmáticos, sugerindo a superação de conflitos e uma esperança serena.
O ano encerrou com a 23A Open Call’25, uma exposição coletiva que reuniu 23 artistas e 23 obras de pequeno formato, selecionadas entre 60 portfólios. Esta iniciativa reforçou o compromisso da galeria com a inclusão, a descoberta de novas vozes e a valorização do detalhe, demonstrando que a força da criação artística não depende da escala, mas da intensidade do gesto e da ideia.
Ao longo de 2025, a 23A Galeria consolidou uma programação coerente e plural, afirmando-se como um espaço de liberdade, escuta e partilha, onde diferentes práticas artísticas encontram lugar para dialogar com o presente e projetar futuros possíveis.
