14.05.2025
30.05.2025

Ruídos Invisíveis

Na exposição Ruídos Invisíveis, João Vasco Casanova propõe uma vivência sensorial da cidade, onde o visível cede lugar ao que se intui. As suas aguarelas não procuram representar o espaço urbano com precisão, mas antes captar a sua pulsação invisível – o som abafado dos passos, o murmúrio entre edifícios, a luz que dissolve o betão.

Cada obra é uma memória fragmentada, um instante suspenso entre o real e o emocional. A leveza do meio aguarela permite que as formas se diluam, que a arquitectura se desmaterialize, e que as figuras surjam como ecos de histórias em trânsito.

Mais do que descrever a cidade, Casanova convida-nos a senti-la: nas sombras alongadas, nas manchas que sugerem movimento, nas lacunas deixadas para o olhar completar. Há um ritmo subtil que atravessa estas imagens – invisível, mas presente – como um sussurro urbano que só se revela a quem escuta com atenção.
Bem vindos aos sons invisiveis.

Sara de Araújo Sequeira, Curadora

João Vasco Casanova

As primeiras memórias de João Vasco Casanova são feitas de linhas, manchas e cores. Desde muito cedo, o desenho e a pintura foram a sua forma natural de estar no mundo — um território íntimo onde a sensibilidade se expressava com liberdade e precisão.

Frequentou a Escola Artística António Arroio, onde aprofundou o seu olhar e participou em diversas exposições coletivas ainda jovem. No entanto, por volta dos 20 anos, afastou-se inexplicavelmente da pintura. O silêncio durou três décadas.

Durante esse intervalo, dedicou-se ao corpo e ao movimento: licenciou-se em Dança e trabalhou como intérprete em várias criações de coreógrafos portugueses. Essa experiência deixou marcas subtis no seu trabalho atual — há nas suas aguarelas uma atenção coreográfica ao espaço, à fluidez e ao gesto.

Hoje, João Vasco regressa à pintura com a força de quem reencontra uma parte essencial de si. A sua obra em aguarela urbana é marcada por uma maturidade rara: composições atmosféricas, luzes filtradas, figuras em trânsito e estruturas arquitetónicas captadas com elegância e intenção.

Há nesta nova fase uma síntese entre experiência de vida e frescura artística — como se cada pincelada revelasse um tempo interior reconquistado.

Scroll to Top