17.10 — 01.11.2026

Confluência

Dino

TEXTO CURATORIAL

Em Confluência, Dino aproxima dois universos do seu trabalho que partem de lugares distintos, mas se encontram numa mesma reflexão sobre a vida e sobre a forma como nos relacionamos com os outros.


Em No QUADRADO BRANCO tudo cabe …, interessa-me sobretudo a tensão entre liberdade e contenção. O quadrado estabelece um limite, mas não encerra aquilo que acontece dentro dele. As formas movem-se, aproximam-se, cruzam-se e transformam-se. Há nessa relação qualquer coisa de profundamente humana: a procura de espaço próprio dentro de estruturas que inevitavelmente partilhamos.


Em A Verdade dos Outros, essa reflexão desloca-se para a forma como observamos e interpretamos quem está à nossa volta. A cor torna-se linguagem para falar de diferentes maneiras de sentir, agir e estar no mundo. Não como uma classificação rígida, mas como ponto de partida para reconhecer aquilo que nos distingue.


É precisamente neste encontro que, para mim, a exposição ganha sentido.
Confluência não fala de tornar iguais aquilo que é diferente. Fala da possibilidade de coexistirmos mantendo a nossa singularidade. Entre estrutura e liberdade, identidade e alteridade, aquilo que mostramos e aquilo que permanece interior, as obras de Dino encontram um território comum.


Um território onde olhar o outro é também, inevitavelmente, uma forma de nos vermos a nós próprios.


Sara de Araújo Sequeira

Programa paralelo

23A Galeria e Dino convidam

Fim de semana de vernissage

Sáb. 17.10
17h00–21h00

Vernissage

Inauguração de Confluência

Sáb. 17.10
18h00

Momento musical

Demba Galissa, kora — músico da Guiné-Bissau, em instrumento tradicional

Dom. 18.10
18h00

Momento de poesia

Ana T. Freitas, Regina Correia, José Fanha e Heloísa, com guitarra

DE 19 A 30.10

Qua. 21.10
10h00–15h00

Diário gráfico

Venha desenhar connosco no Jardim dos Cavaleiros – das 10h00 às 13h00

Qua. 21.10
15h00–16h30

Convívio e desenho

Com os desenhos e as fotografias do dia, expostos na galeria

Sex. 23.10
18h00

Conversa: Conversa: De que falamos quando falamos de criatividade?

Ana Bela Mendes

Sáb. 24.10
18h00

Momento musical

Neil Fernandes (Voz e Viola) – prémio revelação FNAC 2026

Dom. 25.10
16h00-18h00

Desenho de modelo

Venha desenhar connosco com a Catarina Malika em traje indiano

Qua. 28.10
17h00

Observação, Inspiração e Criação

Com Isabel Gonçalves

Qui. 29.10
17h00–18h00

Retratos à queima-roupa

Venha e deixe-se retratar pela artista Inês Pragana

Fim de semana de FINISSAGE

Sáb. 31.10
18h00

4 Perguntas, 4 Artistas, 4 Visões

Inês Pargana, José Fanha, Silvestre Fonseca e Paulo Canilhas
Com apontamento musical de Silvestre Varela, à guitarra

Dom. 01.11
18h00

Dança indiana – Bharatanatyam

Catarina Malika
Seguida do encerramento da exposição.

O artista estará presente na galeria a partir das 16h, de quarta-feira a domingo, e acompanhará quem desejar. Entrada livre.

ARTISTA

Dino

Dino, nome artístico de João Coutinho, nasceu em 1956 na Beira, Moçambique, e vive em Lisboa desde 1976. Com raízes goesas e uma identidade marcada por referências africanas, asiáticas e europeias, desenvolveu um percurso profissional ligado à Engenharia Civil, ao ensino, à gestão e ao empreendedorismo, mantendo sempre uma forte ligação à cultura e às artes.

O interesse pela criação artística surgiu ainda na juventude, sob influência do mestre José Pádua. Depois de décadas em que conciliou a arte com a vida profissional, regressou de forma consistente à prática artística em 2019, aprofundando a sua formação na Nextart e na Sociedade Nacional de Belas Artes.

Desde 2023 que expõe individualmente e participa regularmente em exposições coletivas.

A sua obra nasce da observação do quotidiano, das memórias e das vivências pessoais, refletindo sobre uma sociedade em constante transformação. Trabalha sobretudo pintura figurativa e abstrata, frequentemente metafórica, em acrílico e óleo, explorando também diferentes materiais e processos.

Elementos como a pintura no verso da tela, a divisão do espaço em quatro partes e a presença recorrente do número 4 surgem como marcas identitárias do seu trabalho.

Para Dino, a arte é uma forma de estar no mundo: um espaço de reflexão, questionamento, emoção e partilha.


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